O DIÁRIO – 06 de maio de 1982 (entrevista da mamãe)



MARIANA CANCELIERO VALENTINI

Numa doçura, talvez pelo nome ser um misto de Maria, que foi filha de Ana – tudo em tamanha santidade... Maria, mãe de Jesus, Ana, mãe de Maria, assim, num dia consagrado às Mães, é de uma maneira comovida e de muito respeito, que mostramos ao público de nossa terra, um exemplo de mulher em forma de MÃE, porque mais do que nunca é preciso se dar exemplos – porque mais do que nunca é preciso dar testemunhos de fé num mundo carente, repleto de dramas e violências, de problemas vividos exatamente por descuidos, desencontros ou falta de AMOR e, a MÃE, neste momento, nesta hora sagrada da FAMÍLIA muito tem a lutar, muito tem a tentar, muito tem a fazer.
Nossa entrevistada coube e cabe sob medida nesta homenagem ao Dia das Mães – a ela, pelos méritos e pela beleza de VIDA – às mães de Piracicaba pelo muito que merecem de respeito e de consideração.
Mariana Canceliero Valentini, no início da entrevista propôs-nos a que invocássemos o Espírito Santo para que tudo se resumisse numa mensagem de fé e de amor ao próximo, uma vez que na missa daquela manhã ainda indecisa, se nos daria ou não a entrevista, ao entrar na Igreja, as pessoas cantavam o: “Sabe, Senhor, o que temos é tão pouco pra dar, mas, este pouco nós queremos com os irmãos compartilhar...”, ela considerou isto uma resposta e nós achamos que alcançaríamos o nosso objetivo.
Aos vinte e cinco anos, após quatro anos de namoro e totalmente apaixonados (e neste momento, aquele sorriso lindo e puro fala mais alto do que tudo...), Mariana se casou com Willians, depois de entrarem em severo acordo de que “não evitariam filhos”, na preocupação maior de nunca viverem em pecado mortal – já que uma longa vida em consultório a fazia cuidar de crianças (ela foi por muito tempo enfermeira do nosso muito querido Dr. Raul Machado). Muito religiosa, “o planejamento familiar” ainda engatinhava, há quase trinta anos atrás, e então os filhos começaram a chegar... e foram muitos... e foram oito seres maravilhosos dos quais ela fala com grande emoção – Willians, o mais velho, 27 anos, hoje médico psiquiatra, Wilson, 25 anos, engenheiro agrônomo, Maria Clara, 23 anos, cursando a faculdade de Serviço Social, Marcos, 22 anos, fazendo Agronomia, Walter, 20 anos e Maria Aparecida com 18, para entrar na Faculdade, Maria de Lourdes e Maria Virginia, 15 e 11 anos no primeiro grau. Quatro deles estudam na Escola de Música de Piracicaba. Servir inteiramente a Deus era a sua proposta – no entanto, os filhos vinham e ela tinha uma sociedade para dar conta, uma família e muitas pessoas que lhe perguntavam – “por que tantos filhos???” “Foi uma vida muito difícil”, ela confessa, no entanto, as emoções e o amor sempre foram grandes demais e, “à medida que os filhos vinham, a Providência estava junto...” e ela, maravilhada, os amava e os cuidava cada um que chegava...
Mariana é a primeira a se levantar e espera até o último filho chegar, daí, a última a descansar - “porque é preciso se dedicar inteiramente à família, e estar sempre junto deles, aceitando-os como são, dando a eles a força que precisam para continuar e valorizando a sua vida”. Ela tem problemas que toda mãe tem, mas enfrenta-os, porque sua fé enorme faz com que ela não desanime.

É preciso fazer a sua parte – se você estiver plena, se você der a Deus o que Ele lhe pede, Ele dará a você o que você precisa” – é Deus, Deus, Deus, porque Mariana é assim – o próprio filho, de Jundiaí, ao encorajá-la, disse: “diga o que a senhora sente, mamãe, diga o que a senhora sabe, e eu já sei que haverá Deus em todas as suas linhas...”. No entanto, ela não se torna piegas ou ingênua, muito pelo contrário, sua força é tamanha, que não há constrangimento ou justificativas, porque Mariana é um instrumento de Deus, Mariana é coragem, Mariana é resposta à proposta do Evangelho que ela crê e professa.
“Na medida que eu amo, na medida que eu procuro dar ao outro, eu me dou inteira – Não saio da minha casa para ajudar o próximo, mas faço uma união de coisas – um trabalho conjunto”. Ao perguntarmos sobre o seu cansaço, pelo seu maravilhoso cansaço, ela respondeu assim: “Às vezes eu penso, queria estar bem longe...”, mas imediatamente, arrependida, já digo: “Senhor, por favor, não mude a minha cruz, porque ela está ótima assim... e vá que de repente nos venha uma mais pesada...” e, novamente o sorriso lindo e grande (que às vezes eu penso só as mães podem ter), aflora de seus lábios e ela completa, “- É Deus que sabe tudo – por isso Ele vai dando tudo aos pouquinhos – se Ele nos desse alegrias e tristezas inteiras, na certa nos mataria...”.
“- Se a família da gente caminha, é porque a gente se ‘doa’ – porque se pai e mãe não estiverem prontos a morrer na própria vontade, a cada momento, Deus e a vida não estariam em nós. Não podemos querer tudo...”. Mariana não tem egoísmo algum, nada de superficial, ela é brava e brincalhona com os filhos – é boa e limpa como a graça abundante que Deus colocou dentro dela – e ela consegue o seu propósito – ela tem uma família digna – a sua casa conhece a felicidade – sinal que a FÉ e DEUS são os grandes necessitados na VIDA TRISTE DE HOJE. Neste momento, quando Mariana se referiu a oportunidade de prestar o seu depoimento, nós nos lembramos da MEG, a responsável por essa coluna, mulher que vem crescendo na luta do dia-a-dia e mais importante, publicando exemplos de vida de mulheres de nossa terra e de nossa gente. Esta divulgação é benéfica, decente e coerente – daí, nós duas termos feito uma prece por ela e pela sua família.

TÃO LINDA A VIDA...
E, ao perguntarmos para encerrar: - “Valeu a pena, Mariana?” Ela respondeu: - “Tão linda a vida, Maria Helena... que eu começaria tudo de novo, com maior AMOR ainda...”. Então eu, como entrevistadora, com maior orgulho, perdi a modéstia e fiz questão de assinar uma reportagem que me comoveu até as lágrimas – que me fez sentir no mais profundo do meu coração este respeito fantástico que todas as MÃES merecem – e não só a mãe de sangue, mas a MULHER que cria, que cuida, que zela, que labuta nas lutas terríveis da vida, merecem. Que a GRANDE MÃE – a MÃE DE DEUS, que Mariana tanto ama e respeita, derrame sobre nós, todas as mães do mundo, as graças que tanto precisamos para levantarmos, segurarmos, construirmos um mundo de mais PAZ, um mundo de mais AMOR. (Texto: Maria Helena Aguiar Corazza).

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