“Sacolinhas de Solidariedade”

Entrevista à Revista Arraso , 12 de Dezembro de 2015
“Sacolinhas de Solidariedade”
Há duas décadas, Mariana Valentini transforma Natal das Crianças com ação beneficente

“Fazer o bem, sem olhar a quem”. O ditado popular que inspira solidariedade é seguido à risca pela aposentada piracicabana Mariana Canceliero Valentini. Há cerca de 20 anos ela transforma o Natal de diversas crianças de Piracicaba, a maioria carente de recursos financeiros, em um momento mágico. Para isso, criou uma verdadeira “corrente do bem”, mobilizando, anualmente, cerca de 250 pessoas para participar das sacolinhas de Natal distribuídas por algumas paróquias da Diocese de Piracicaba que têm Pastoral da Criança. Quem aceita integrar este “batalhão da solidariedade”, se compromete a rechear as sacolinhas com roupas, itens de higiene pessoal, brinquedos e doces, que são destinados a crianças de zero a seis anos, todas famílias atendidas pelas paróquias com pastorais.
Neste ano, nem mesmo a saúde comprometida, devido a complicações de um derrame pleural em outubro, afastaram dona Mariana, como é conhecida, das sacolinhas de Natal. “É uma satisfação muito grande participar. As crianças esperam por isso. Enquanto eu puder ter saúde, pretendo continuar. Acho que o piracicabano tem muito bom coração e tem pessoas que são muito prontas em ajudar, pegando as sacolinhas”, afirmou ela, que auxilia a paróquia São Francisco Xavier, igreja que distribui, no total, cerca de 1200 sacolinhas. Organizada, dona Mariana tem um caderno onde anota o nome de todas as crianças a receberem os presentes, o local onde moram e os contatos dos “adotantes” da sacolinha. “Teve uma vez que uma pessoa perdeu a sacolinha que tinha pegado, então passei a anotar tudo. Isso é bom para controlar o retorno e também, para, no próximo ano, oferecer novamente às pessoas que participaram, porque elas me cobram que querem participar. Elas, inclusive, agradecem a oportunidade de poder fazer o bem”.
“Braço direito” de dona Mariana nesta ação de cooperação, uma das filhas dela, a aposentada Maria Clara Valentini, que acompanha a entrega das sacolinhas às crianças, falou que os presentes são inesquecíveis para quem os recebem. “Natal é algo que mexe com os sonhos e para as crianças essas sacolinhas fazem toda a diferença. Muitas campanhas natalinas de escolas e igrejas foram inspiradas nesta”, disse.

A corrente do Bem: Para mobilizar todas as cerca de 250 pessoas que se comprometem comas sacolinhas, dona Mariana não poupou esforços. Em certas ocasiões, parou pessoas que nem tinha afinidade na igreja e ofereceu a elas esse “trabalho de amor”. “Teve uma vez que eu ia ligar para uma pessoa e, sem querer, disquei um número desconhecido. Acabei falando com a pessoa que me atendeu e ela também aceitou participar. Até hoje ajuda”, contou, acrescentando que faz questão de deixar claro às pessoas que todos os presentes precisam ser de qualidade. “É claro que falo com jeito, mas explico que temos que ver o que vamos dar, porque são crianças sem muito dinheiro e que algumas coisas baratinhas não convém doar”, comentou.

Sacolinhas na sala da casa da Governador em 2010

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