Histórias da Líbia....

Agora quem nos dá uma força com suas memórias é a nossa prima Libia. Ela conta que se lembra muito bem no nosso 'nono Vico' (Ludovico Canceliero). Ele sempre tinha um lenço na cabeça com nós nas pontas. Para ir na casa tia Cecília, ele punha terno , gravata, o prendedor de pérola, e tomava o bonde (acho que essa lembrança eu já escrevi nas memórias da Gina). A Libia chegou a levar o nono várias vezes até o 'ponto', que ficava no pontilhão da Paulista. Para ela, era uma alegria, ela adorava acompanhá-lo. E o lenço na cabeça ficou marcado em sua memória. Ela também ia com ele ao barbeiro, que ficava na Rua Benjamin Constant. Esse barbeiro, segundo a Libia, também cortava o cabelo das meninas. Ela conta ainda que o nono, a caminho do barbeiro, dava três passos, parava e perguntava: “Falta muito, neta?”.
Outra lembrança da prima Libia eram os benzimentos. Naquela época, 'tudo se benzia'. Como a tia Neide sofria muito com bronquite, ela dormia sentada na cadeira, apoiada na mesa, porque tinha dificuldade para respirar, uma judiação. Então, “dá-lhe benzimento”. Uma vez, conta a Libia, souberam de algumas freiras que passavam um tal óleo nas costas – ela não lembra onde era, mas a tia Neide foi. A prima Angelica também foi. Mas, em consequência disso, as duas sofreram queimaduras, com bolhas horríveis nas costas – e nada da bronquite curar. Líbia diz que ela também passava por benzimentos porque tinha giardia (verme, segundo ela... rs). Ela morria de vontade de comer tudo (coisa do nosso sangue italiano, certeza!!! rs). Quando havia algum aniversário na vizinhança, ela comia até vomitar (kkkkk). E ela se lembra de tomar um remédio amarelo 'enorme'. E diz que “quem tomou, jamais esquece”. Também tomaram, ela e Angelica, Durabolin – hoje é uma droga não permitida, um anabolizante – porque as duas eram muito magras.
A Clara diz que o remédio talvez fosse Emulsão de Scott, remédio que ela e o Junior (nosso irmão mais velho) tomaram porque os dois tiveram bronquite quando crianças. A Clara conta que eles sararam com uma simpatia que nossa mãe fez: abriu um buraco no batente da porta, na altura da criança, e colocou dentro um pedaço do coração da bananeira. Ela lembra até hoje da simpatia e dos buracos que ficaram na porta do quarto (kkkk). A Gina também ajudou nas lembranças porque a tia Neide também fez simpatias, inclusive essa que minha mãe fez, para curar a bronquite. Uma outra simpatia foi feita por uma pessoa que foi até a casa deles e, na altura da tia Neide, fez um buraco – com uma furadeira – no batente do quarto onde ela dormia. Em seguida, colocou alguns fios do cabelo dela (tia Neide). Assim mesmo, diz a Gina, teve bronquite por toda vida. Foi até no Padre Donizete, em Tambaú. Gina conta que tentaram de tudo, com muita fé, mas infelizmente, a tia Neide morreu com a bronquite.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Viva mesmo após a morte

Sem data

Meu pai