Sem data

Tata muito querida, bom dia! Um abraço muito saudoso para você. São 5,30 da manhã. Estamos com muitas saudades de você. No final do ano sempre aparecem as visitas, a casa fica cheia, a correspondência fica atrasada. Tudo bem com você? Espero que sim. Como foram as festas de Natal e final do ano aí? Imagino que devem ter sido lindas. E o frio? É linda mesmo a neve? Tem sofrido muito com o frio daí? Espero que não. Às vezes fico imaginando você dentro daquelas roupas quentinhas que você levou. Gostaria de contar um pouco para você das festas daqui. Wilson e Ana saíram da fazenda bem antes do Natal porque o Gabriel teve muitas febres seguidas. Eram do ouvido. Agora, graças a Deus, parece que ele está bem. Eles passaram o Natal em Capitólio. Marcos, Maria Helena e os meninos passaram aqui, dona Yolanda e Nair também. Foi muito alegre a ceia e o almoço de Natal também. Houve a troca de presentes (amigo secreto). Depois, como o aniversário da Marina é dia 31 de dezembro, resolveram fazer a festa no dia 30, na Holambra. E foi muito linda. A casa do Marcos não deu para alojar todos. Nós fomos dormir na casa de um holandês que estava viajando. A família do Wilson e a família da Romilda (irmã da Maria Helena), ficaram na casa do Marcos. A família do Renato foi dormir no Hotel da Holambra. Ficamos mais ou menos 5 dias lá, foi ótimo. Walter também foi. O Wilson passou aqui para nos levar, a mim e ao seu pai. As meninas foram com o Walter. Lembrei muito de você porque, no ano passado, você, seu pai e eu passamos lá para esperar a Marina. Eles estão lindos. Enzo e Gabriel é que estão meio magros porque o Enzo teve também estomatite (aquelas feridas na boca que não deixam a criança comer). Teve também febre . Gabriel teve primeiro e passou no Enzo. Neste final e começo de ano, eles estiveram aqui 3 X. Deu para matar as saudades. Segunda é que eles voltaram para a fazenda. Ana estava muito cansada porque não trouxe empregada. Ude e Gi passaram de ano. Gi foi passar alguns dias na Holambra, desde a semana passada. No dia 20 de janeiro, houve um chá em benefício das favelas do padre Vicente. Ele é italiano e mora no bairro Itapuã. Toma conta de dez favelas. E eu que fiz o chá. A ideia nasceu porque eu queria fazer um barraco para uma diarista minha. Ela está trabalhando há alguns meses aqui no final de semana. Ela é casada e tem dois filhos. Consegui metade do dinheiro para ela comprar um barraco. Só que ele não era nada bom. Então eu pensei em fazer um chá para poder fazer uma casinha de tijolo (casa de material, como eles dizem). E não foi preciso o chá: consegui material com um senhor que doou 3 mil tijolos e mais um pouco com um senhor da creche da Irene. A casinha está sendo construída na favela, o esgoto é a céu aberto (os detritos nadam no riozinho atrás da casa dela). Mas aí eu já tinha conseguido a casinha e agora vou perder a ideia do chá? Não vou! Chamei o padre Vicente e fiz a proposta se ele queria o chá. E perguntei quais as necessidades principais. Ele respondeu: comida e barraco. Então eu convidei uma amiga para ser minha sócia nesse chá. Nos primeiros dias ela aceitou, depois ela disse: “Não vou ser mais sua sócia”. Com toda razão, porque o trabalho é imenso. Então eu falei para Nossa Senhora: “A Senhora vai ser minha sócia”. Ela não deixou por menos. Isso foi no começo de dezembro, tempo super curto para se fazer um chá. As pessoas diziam que eu era louca, fazer um chá sozinha. Mas eu não estava sozinha, estava com Ela. Foi maravilhoso! Foram tantas as experiências que não dá para contar. Foram muitas pessoas que Ela mandou para ajudar. E o chá saiu maravilhoso. Até seu pai, a Clara e a Ude foram trabalhar. A renda foi de 240,00 mil cruzeiros. O dinheiro foi para o Banco. Até o padre Vicente falou: “A senhora tem uma fé muito grande”. Até para ele precisei falar de fé. Mas foi lindo, só tenho a agradecer a Jesus. Ia me esquecendo de falar para você da Nossa Senhora que chora. As lágrimas são realmente verdadeiras. É Nossa Senhora Rosa Mística. É uma imagem que tem na Igreja de Louveira, uma cidadezinha perto de Campinas. Vem gente até de outros países para ver. Cidinha Mendes viu ela chorar. A análise das lágrimas foi feita na Unicamp. Eles nunca dão a resposta, mas a Ude por pessoas do cientista que são verdadeiras as lágrimas. E ninguém sabia o motivo, agora nós sabemos. Ela chorou novamente um dia depois da guerra. Não sei se vocês souberam desse fato aí. No mais, tudo bem. Junior está trabalhando num hospital psiquiátrico em Campinas. Eles vão morar lá. A Cenise parece que vai viajar para a Itália algumas vezes até terminar o curso (isso antes da guerra, agora eu não sei). O gás de cozinha aqui já está sendo racionado. O botijão de 13kg passou para 10. Eu estou pensando em fazer um fogão à lenha, caso seja preciso. As uvas esse ano demoraram para amadurecer. No Natal não tivemos uva. As nossas não estavam prontas. No dia de Natal o Junior esteve aqui por algumas horas. Só. Escreva alguma coisa para nós. Todos estão achando falta das suas cartas. O padre João da Vila (focolarino) vai embora para o Chile a mandado de Chiara. Tata, peço desculpas pela demora e pela carta. É o meu jeito de escrever, não sei escrever melhor. Tchau, um beijo e um abraço para você e todas as meninas que perguntarem. Rezo todos os dias para você e eu Focolare. Com carinho, mamãe. Desculpe essa carta tão espremidinha, é que quando vou escrever, nunca acho alguém para me dar papel. Tchau, beijos, mamãe.
Marina e Gabriel com um aninho

Comentários

Cacá disse…
❤️❤️❤️
Gente, que demais! Merece um livro!
Maria Helena disse…
Merece um livro sim
Unknown disse…
Muito fofo. Estou muito feliz de ler essas cartas. Da pra entender muito melhor bossa fakilia! Amo vcs!
Nicole disse…
Nicole ali em cima
Renata disse…
Nossa Senhora como ‘sócia’ é sensacional! 💝
Marina Righeto disse…
É simplesmente demais, da pra viver essas histórias através das cartas! Estou amando! ❤️

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