Coisas da vida

Eu tinha uns 15 anos quando o vi pela primeira vez. E foi como aqueles raios que só caem na cabeça das meninas de 15 anos.... A partir daquele dia eu só pensava nele. Foi paixão daquelas bravas, que duraram um tempão. Eu morava na varanda de casa esperando ele passar, já que éramos praticamente vizinhos. E assim foram passando os dias, os meses, eu só pensando nele. Era quase uma fixação. Lindo, absurdamente lindo. Foi por causa dele que me interessei por futebol. Achava o máximo as histórias que escutava sobre os jogos e sobre o seu comportamento em campo. Acabei ficando fã de todo jogador profissional que tinha alguma coisa parecida com ele. Ou que pelo menos eu achava parecida. Na minha doce ilusão. Quando o tempo passou mais ainda, minha mãe dizia, 'isso é amor de traição'. Nunca entendi direito essa história de 'amor de traição', mas detestava a expressão. O tempo passou, a vida mudou, os caminhos nos levaram para rumos opostos, mas eu - de vez em quando - lembrava dele. Um dia, já adulta e mãe, com meu filho ainda de colo, entro numa farmácia. Não o via há trocentos anos. 'Oi'. Respondi 'oi'. E foi tudo. Nunca mais o vi. Ontem o dia foi pesado, chato, eu super irritada. Trabalhando, de olho no monitor, editando uma matéria, dou de cara com o nome dele. Um cara embriagado causa um acidente. Uma vítima fatal. Ele foi pro céu. O dia ficou pior. Ficou pior porque uma parte da menina de 15 anos se foi. Um bom pedaço dela foi com ele. O resto está aqui, com uma ponta de dor. Coisas da vida....

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