Anos

Não sei se o que venho vivendo é apenas uma fase mais difícil ou se isso chama-se vida adulta, mas nunca me senti com a idade que realmente tenho como agora. Quando alguém perguntava minha idade, eu sempre tinha que pensar..... E sempre me vinham os vinte e poucos anos, depois os trinta e pouco... Hoje não, eu me sinto realmente com 43 anos (sem levar em conta que, com essa idade, minha mãe já tinha 8 filhos e era praticamente uma senhora). Não me sinto uma senhora, não. Mas fico um pouco sem ar quando penso que já passei, provavelmente, da metade. E foi tudo tão rápido!!! Quando fui matricular meu filho no 'colégio grande', saí com o coração apertado e segurei as lágrimas pra ele não perceber. Não porque ele está crescendo, mas porque eu estou envelhecendo e tenho pavor de imaginar que tenho pouco tempo com ele. Exagero, eu sei.... Não sei quantos anos tenho pela frente.... Será que estou sendo pessimista ou realista? Viver é tão bom, mesmo quando as coisas são ruins.... Mesmo quando a gente se depara com aquela situação chata, com problemas no trabalho, em casa, com amigos.... Nunca na vida eu senti tanta vontade de viver.... E nunca tive tanto medo de que a vida passe depressa demais.....
Giovanni quer um gato. Quando na vida eu imaginei que pararia para pensar nessa possibilidade? Jamais.... Eu odiava gato e hoje eu até gosto.... E estou pensando seriamente na possibilidade de comprar um pra ele..... E gato parece coisa de velho..... E ando sonhando com a aposentadoria, que vai demorar muito tempo pra chegar... mas já me vejo em casa, fazendo coisinhas bonitinhas pra decorar aquele cantinho, saindo com amigas pra tomar um café e combinando uma pequena viagem.... Eu vou amar ser aposentada, tenho certeza. Mas até lá, tenho muito ainda que trabalhar, que construir. Construir um mundo melhor dentro do meu mundo e fora dele tbém... Porque é lá que meu filho vai estar, com certeza. E é assim que tem que ser.....

Comentários

Ando por aí... disse…
No fundo, filho, eu te entendo.

Você faz uma confusão danada com essa história de crescer. Vira e mexe promete que vai fazer isso ou aquilo quando for pequeno, numa lógica tão paradoxal quanto verdadeira. Você ainda tem pela frente muito tempo pra ser pequeno, embora de vez em quando eu tente te convencer do contrário.

É muito bom ser gente grande, filho. Na verdade, eu achei bom ser criança, achei legal ser adolescente, achei ótimo ser jovem e continuo achando excelente ser adulta, principalmente depois que vocês chegaram. Tenho a impressão de que a vida não vai se cansar nunca de me divertir.

Só que... Só que sempre tem um só que.

E no meu caso, hoje, o só que fala de papéis, de trabalhos aborrecidos, de decisões difíceis de tomar, de compromissos assumidos sem convicção - de armadilhas que os adultos armam para eles mesmos, sem querer, sem perceber e, principalmente, sem saber porquê.

Amanhã vai mudar, filho, mas hoje eu estou achando que ser adulto é ser absolutamente livre pra ser absolutamente enquadrado. Pelo que você mesmo e a sociedade esperam de você.

Tem hora que eu também queria jogar minha linda cama vermelha no lixo e voltar pro meu bercinho.
rccf_ disse…
Amiga, amei tudo o que vc escreveu,sabe você me emocionou, com a realidade,que as vezes não paramos pra pensar.Nossa, em tudo que você escreveu me vi la.Obrigada,porque me fez pensar em minha vida.
Um grande beijo
MARCELA BENVEGNU disse…
Udeca! Doro seus textos viu!
O do Gio falando das características é mtoooooo bom! Adoro essas histórias. Que saudade. bjs

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