Verde

Contrariando todas as expectativas e todos os sonhos que eu achava que um dia ia alcançar, encontrei-me. Não foi daqueles encontros holiudianos (essa eu aportuguesei por conta própria), mas de um intensidade fatal. O chão abriu e eu caí num grande buraco. Um buraco cheiroso, fofo, macio, quente e calmo. De repente fui vendo que o buraco não era tão fofo assim, embora continuasse cheiroso. Passou a ser para mim um buraco seguro. O meu esconderijo. Lá, onde eu poderia ser eu mesma. E assim foi e assim é. Meu refúgio. Tenho medo de sair dele, de encontrar outros lugares, de conhecer outros aromas. Mas esse medo não me impede de tentar. Hoje nada mais me impede de tentar. De buscar outros sabores, outras texturas, outras cores. De repente nem precisa ser outro buraco. Pode ser um terreno plano, de onde eu enxergue o mundo. Ou pelo menos, o mundo que cerca o meu mundo. E esse meu mundo tem se tornado cada dia menor. Não quero. Quero um mundo maior, bem grandão. Daqueles que a gente não consegue ver, mas que sabe que é uma imensidão. Uma imensidão azulada, esverdeada, amarelada, com as cores da natureza. Verde. Um verde que acalma a alma.

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