Excomunhão

O assunto já encheu os picuás, mas eu não poderia deixar de comentar. Sexta-feira eu senti vergonha de ser católica. Fiquei assombrada com a história da excomunhão dos médicos e da mãe da menina de 9 anos, blá blá blá. Não adianta falar muito porque eu duvido que tenha gente que ainda não saiba do ocorrido. Mas analisando os fatos, como católica, fiquei imaginando o que Jesus faria numa situação dessas. Não acho que ele defenderia o aborto, mas duvido que Ele expulsaria alguém por causa disso. Pois não foi Ele que veio para perdoar? Não foi Ele que deu a vida pelos e para os excluídos? E o que é uma menina nordestina, pobre, judiada, estuprada, senão uma excluída? A Igreja condena o aborto, eu idem. Não acho que aborto possa ser uma técnica utilizada como controle de natalidade ou para resolver uma situação fruto da irresponsabilidade de suas pessoas. Mas o caso dessa garota é totalmente diferente. Fiquei com medo da Igreja. Medo da gente estar voltando pra trás e é exatamente isso que estamos fazendo. E é por isso que as evangélicas estão ganhando fíéis. Uma vez, entrevistando um bispo local, ele me disse "A Igreja não perde fiéis, perde infiéis". Ok, beleza. Naquela época até que a frase fez algum sentido. Mas aplicando a esse caso, me perdoe, se perder vai ser por pura falta de caridade. De humanidade mesmo. E também me lembrei do meu amado pai. Ele dizia "Padre num pode dar conselho sobre casamento, sobre filhos. Eles não são casados, nem pais de família". Eu não entendia bem isso, hoje faz o maior sentido. Aquele arcebispo poderia se colocar no lugar de um pai, do pai daquela menina, por exemplo. Se ela fosse filha dele, será que ele ia querer que a gravidez fosse levada adiante? Agora, com essa posição, sinto temor pelo que pode vir daqui pra frente. Intolerância zero.

Comentários

Ando por aí... disse…
Pois é, Ude, foi por isso que eu deixei de ser católico há um bom tempo -- mais precisamente quando comecei a ter aulas de história no 1o. colegial.
O que eu aprendera no catecismo na minha saudosa infância lá no São Dimas foi desmentido categoricamente pelos fatos passados e, ao longo do tempo, pelo presente.
É o que eu digo: se Jesus voltasse para nos "testar" ele seria violentamente barrado nos portais da Igreja Católica. Afinal, ela, a Igreja Católica Apostólica Romana, não pensaria meia vez em eliminar uma ameaça ao monopólio da "verdade" que ela pensa possuir!
Beijo,
Mak
ps: teu saudoso pai tinha razão, como alguém que não possui nenhuma experiência sobre algo pode opinar-aconselhar sobre? Como falar sobre humildade e simplicidade se nos deparamos com a grande e poderosa corporação católica?

Postagens mais visitadas deste blog

Viva mesmo após a morte

09 de novembro de 1989

08 de agosto de 1990