Fui fazer uma matéria ontem, às 7h. Então tive que levar o Giovanni comigo, mesmo pq era bem pertinho de casa. A matéria era sobre um grupo de 30 homens que foi a pé para Pirapora, sem nenhuma promessa, apenas para agradecer a Deus as bençãos recebidas no dia-a-dia. Fiquei bem impressionada com a fé deles. É difícil encontrar homens que professem, sem vergonha, sua devoção a Deus. Foi lindo, fiquei emocionada. Aí o Giovanni serviu como "modelo" na foto.... Fofo, né! Aqui está a matéria. A foto é do Mateus Medeiros.
beijos procês!
Grupo troca folia pelo ‘caminho da fé’
(Ude Valentini)
Com muita fé, disposição e coragem, um grupo de romeiros, formado por aproximadamente 30 homens, partiu às 7h de ontem, a pé, para Pirapora do Bom Jesus, cidade distante 120 quilômetros de Piracicaba. A previsão de chegada é amanhã. Antes da partida, em frente a residência do organizador da viagem, Bertinho, 59, era grande a quantidade de colchonetes, alimentos dos mais variados, água, sucos e refrigerantes, que estavam sendo dispostos em duas caminhonetes que servem de apoio. Os participantes se preparavam com alongamento, concentração e muito filtro solar.
Momentos antes da usual oração da partida, Bertinho conta o motivo da caminhada até Pirapora. “Esse é um agradecimento por tudo o que Nosso Senhor Jesus Cristo e Nossa Senhora fazem para a gente. Não precisamos pedir nada, só agradecer”, afirma. O grupo leva uma imagem da Mãe Peregrina, que é carregada por todos os romeiros ao longo do caminho. Nas mãos, todos carregam um terço. “Rezamos o terço durante todo o percurso e cada vez que carregamos a imagem de Nossa Senhora, que vai passando de mão em mão, não sentimos os pés. Nós flutuamos. Não há dor física nem psicológica”, diz. Nesse ponto do relato, fica difícil para Bertinho esconder a emoção.
Esse é o 43º ano que ele vai à Pirapora, mas o grupo também faz uma romaria, todos os anos, até a cidade de Atibaia, onde visita o Santuário da Mãe Peregrina. “Nós preferimos não fazemos nenhum alarde nem divulgamos nossos nomes, pois nossa intenção não é pagar promessas nem pedir nada. Nosso objetivo é somente agradecer por nossas vidas”, afirma. No primeiro dia, o grupo caminha 52 quilômetros; no segundo, 46 quilômetros e no terceiro, 22 quilômetros.
Gílson, 31, não conseguia disfarçar a ansiedade de participar pela primeira vez da romaria. “Estou ansioso porque não sei como será, se vou conseguir. Mas sei que para agradecer, todo esforço vale a pena”, comenta. Raul, 51, participa há 20 anos, e ontem estava feliz porque comemorava 27 anos de casamento. “Andar me limpa. Cada romaria é diferente, a gente sofre com o sol, com as dificuldades em certos pontos do caminho, mas é uma experiência incrível. Vou até quando minhas pernas aguentarem”, conta.
Nenê, 42, que também faz parte da organização, afirma que o desafio psicológico é maior que o físico. “Embora a gente brinque e converse, na maior parte do tempo nós rezamos mesmo. Nossa única arma é o terço e fazemos orações para agradecer. E alcançamos muitas graças em nossas vidas, sempre de acordo com a vontade de Deus”, diz. Ele conta ainda que a ajuda entre eles é mútua. Na noite de ontem, o grupo dormiu na cidade de Capivari, em uma venda localizada no bairro Samambaia. Essa noite, os romeiros dormirão no ginásio de esportes da cidade de Cabreúva. “Como não estamos na Semana Santa, quando há muitos romeiros, conseguimos esses lugares, o que facilita a viagem”, diz Nenê.
Antes de partir, todos os homens dão as mãos, rezam e saem. As romarias acontecem duas vezes por ano, mas o grupo se reúne semanalmente, na chácara de Bertinho, para partidas de futebol. E para rezar: antes das partidas, todos os sábados, o grupo reza um terço.

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