Desafio

Viver é um desafio diário. Quando se é mulher e mãe que "trabalha fora", esse desafio é maior ainda. Hoje de manhã, tomando café na minha mãe, Giovanni diz: "O Nicolas (amigo da escola) que é sortudo. A mãe dele não trabalha". Facada no coração. Foi isso que eu senti. Dei uma driblada, mas aquilo me pegou de jeito. Sempre achei que filho pequeno precisa de mãe por perto. Mas cada um sabe onde o calo aperta, não é mesmo? Mesmo que eu quisesse, porque eu adoro trabalhar, não poderia me dar a esse "luxo". Mas fui trabalhar com o pensamento fixo nisso. Será que eu seria uma mãe melhor se não trabalhasse? Será que minha relação com ele seria tão maravilhosa se vivêssemos o dia todo juntos? Será que ele seria tão livre como é hoje?
Não sei a resposta para essas questões, mas afirmo que não gostei nada nada de sentir o que senti. A danada da culpa. Culpa é terrível. Não gosto de sentir culpa. E não acho que esse caso é para que eu me sinta assim. Porque tudo o que eu faço é para o bem-estar dele, para a felicidade dele. Talvez se eu tivesse escolhido outra profissão, teria horários mais flexíveis. Mas ele não teria o vocabulário que tem, nem a paixão por livros, nem o amor pelas "letras". É. É isso mesmo. Giovanni tem uma mãe que o ama demais e que trabalha fora. Fazer o que????

Comentários

willians disse…
Ude. Bela história essa. Acho que eu não conheço nenhuma história melhor do que a do Moreno, filho do Caetano Veloso, que, com uns dez anos de idade chega em casa retornando da escola e encontra o pai, na sala, com o violão, partituras, gravador, etc... O Moreno olha pro pai e dispara: "Pai, porque que voce, em vez de ficar tocando violão e cantando todo dia, não vai trabalhar como os pais dos meus colegas?"

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