Cria fama, deita na cama!

Tenho fama de furona. Fama antiga essa. Vem dos tempos da adolescência, quando eu combinava uma festa, um barzinho ou mesmo ir na casa de alguém e na hora agá.... eu não ia. Não ia e acabou. Essa fama me acompanhou por muitos anos e fez presença tbém nas festinhas de criança. Eu não suportava festinha infantil. Nem sei porquê. Mas não ia, não ia mesmo. Depois que me tornei mãe, comecei a ir e, para minha surpresa, a gostar. Mesmo assim, dei furo em várias. Tem gente que considera os meus furos um sinal de egoísmo. Mas não é. É difícil de explicar porque minha cabeça só eu entendo. Ou nem eu. Me bate uma coisa de "o que que eu vou fazer lá?" que é maior que a minha vontade de ir. Bem maior. Mas eu venho me contendo nos últimos anos. Pode perguntar pras minhas amigas, raramente tenho furado.
Outra coisa que me acompanha é uma sensação de querer ir embora do lugar que eu estou. Socialmente falando. Não sei o que é. Só sinto que tá na hora de ir embora. "Vamos embora, filho. Tá na hora". Isso eu fiz a vida toda. Vou embora, levanto e vou embora, ara!!!! Giovanni está crescendo. Antes ele parava o que estava fazendo e dizia "Vamos, mamãe". Hoje não é mais assim. Se não chora, faz bico. E que bico. Fica muito bravo. E eu vou amolecendo. "Mais cinco minutos". "Mais dez minutos". E assim vai.....
Vamos ao terceiro tópico dessa conversa.... Meu marido é um cara calmo, bem calmo. Sou sempre eu que armo os esquemas, as saídas, as festinhas. E ele vai, na boa. Nunca disse, nunca mesmo, "Não vou", "Não tô afim", "Não quero". Nunquinha. Pois chegamos ao centro da conversa. Sábado eu provei meu próprio veneno. Forma de falar, porque não faço nada disso de propósito; é só uma esquisitice minha. Voltando ao sábado. Tínhamos um churras e um casório. E tbém um outro churras, que não íamos devido ao casamento. Então o programa era o seguinte: primeiro o churras, depois o casório. O churras tava ótimo. Mas eu não tava boa. Eu queria ir embora. Nada de anormal em se tratando de Ude. Mas fomos ficando, ficando. O casamento era às 20h30. Saímos de lá às 19h50. Como é que uma mulher pode tomar banho e se emperiquitar para um ca-sa-men-to, não era festinha, era ca-sa-mento, em bem menos de uma hora? Pelo amor de Deus, impossível. Eu já tava fula.
Chegamos em casa. Não vou ao casamento. Não vou e pronto. Muito, mas muito brava. Eu ainda tinha que, nesses minguados minutos, levar meu filho na minha mãe. Convencê-lo a dormir na vó. O que meu marido calmo fez? Nada. "Tem certeza que não vamos ao casamento?". Eu nem respondi. Giovanni prontinho para dormir, caiu no sono. Tomei banho e deitei. E vem o calmo.
- Eu vou no churras (aquele, que a gente não ia por causa do casório).
- Se eu fosse você, eu não ia.
- Mas eu vou.
E lá foi ele. E eu fiquei. Ficamos eu e Gico. Quando chegou, me acordou. Chorei de arrependimento. E ainda recebi um email da minha amiga do casório. "Sua fama de furona é irrecuperável, baby. Recuperação só na próxima encarnação!".
Fóda, né!
(nessa foto, o "bicudo" tá com minha cara de "vou embora")

Comentários

Chico Muniz disse…
Eita! Coisas assim, só a reencarnação pra explicar, né?

Mas passa. Tudo passa. Não importa quanto tempo leve.
Anônimo disse…
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Anônimo disse…
Mas não é que é mesmo? hahahaha! FURONA!!! beijo

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