Moda







Fiz uma entrevista para o caderno Arraso com o "todo-poderoso" John Casablancas na terça-feira passada, na inauguração de sua mais nova agência de modelos, em Piracicaba. Nessa agência, John é sócio do meu arqui-amigo Newton Oliveira, um superdescobridor de talentos. Desejo a ele o maior sucesso do mundo, porque ele é mto fofo, supercompetente, uma alma maravilhosa.




(entrevista publicada no Jornal de Piracicaba em 30/10/2008)

Piracicaba no centro da moda
(Ude Valentini)

Responsável pelo aparecimento de nomes como Cindy Crawford, Claudia Schiffer, Naomi Campbell, Heidi Klum e Gisele Bündchen — da qual é o mais famoso desafeto, o veterano do mundo da moda John Casablancas acaba de fincar um pé em Piracicaba: inaugurou na terça-feira, em parceria com Newton Oliveira, a agência Newton Oliveira Joy Model. Criador da Elite Models, uma das maiores agências do mundo, Casablanca vai de vento em popa com a Joy Model Management, tanto em Milão, quanto em São Paulo, e agora em Piracicaba. Um dos projetos de Casablancas na Joy será o Concurso Beleza Mundial, onde as candidatas terão que ser indicadas por profissionais de beleza, de todo o país. Aqui um pouco mais de John Casablancas.
Arraso — Você ficou oito anos praticamente aposentado. Quando surgiu a idéia de abrir uma nova agência?
John Casablancas —
Depois que vendi a Elite, fiquei envolvido em alguns projetos, mais como consultor. Organizei eventos de moda em Miami e fiz coisas para me ocupar, me divertir, porque eu tinha um contrato de não concorrência. Num certo momento, montei um projeto que ia ser muito importante com um grupo financeiro muito grande, mas algumas vezes dinheiro demais num projeto estraga a natureza do negócio. Então retomei tudo e desenhei um projeto baseado principalmente na pesquisa de modelos, que chamamos de scouting (uma espécie de caçador de talentos). Nesse momento eu tinha um amigo montando uma agência em Milão — a Joy Milano — e comprei uma participação. Virei sócio e começamos a desenvolver a Joy internacional. Aí a Liliana Gomes, que era minha diretora de scouting nos anos gloriosos dos concursos da Elite, estava livre, se separando da Viva de Paris; fiz sociedade com ela e montamos a Joy em São Paulo.
Arraso — Agora você está no Brasil em tempo integral?
Casablancas —
Passo muito tempo no Brasil, sou casado com uma brasileira. Então eu considero o Rio de Janeiro minha segunda residência. Eu divido meu tempo entre Miami, Rio e a Europa.
Arraso — Como está indo a Joy?
Casablancas —
Estamos numa fase de dar uma dimensão muito grande, pois gosto de ver as coisas muito grandes. Nosso objetivo é o de ser a maior organização de recrutamento do mundo. Quero trabalhar com todas as grandes agências de Paris e Nova York, coisa que não podia fazer quando eu era somente a Elite. A Joy tem a ambição de estar em certos mercados, como São Paulo por exemplo, mas principalmente se dedicar a achar as modelos que vão fazer carreira internacional. Vamos trabalhar com as principais agências de Paris, Nova York, Londres, Milão, Alemanha.
Arraso — Como o Newton Oliveira entrou nessa história?
Casablancas —
O Newton estava dentro da organização, sendo o scouting da Joy. Era a pessoa que estava prevista para ser o scouting para o concurso Beleza Mundial. Ele começou a ficar superocupado em desenvolver a região e a agência dele. Chegou o momento em que ou íamos ter que nos separar ou nos unir. Naturalmente preferimos muito nos unir. Ele tem um grande talento e o que faz entrosa muito bem com o que nós fazemos. Logo, em vez de fazermos uma espécie de acordo, fizemos realmente uma união, com ele passando a chamar Joy e a fazer parte do grupo de agências Joy. Naturalmente ele vai passar mais tempo desenvolvendo o território dele.
Arraso — Essa é uma fórmula que você pretende levar adiante, ou seja, unir-se com profissionais para abrir outras agências Joy?
Casablancas —
É uma idéia, mas unicamente quando com pessoas como o Newton. E isso não é fácil de achar: com talento, energia, que entende do negócio e que pode ser um bom parceiro.
Arraso — Como será o Concurso Beleza Mundial?
Casablancas —
O concurso foi uma oportunidade que Liliana teve, antes de se unir comigo. Quando comecei a falar com ela para abrirmos a Joy, ela já estava falando com a Mundial Beauty Care, que virou nossa patrocinadora. E eles estavam discutindo, mas não tinham fechado negócio. Quando entrei, eles gostaram dessa nova dimensão e o negócio rapidamente fechou-se. Queremos fazer um concurso como no sistema antigo, um trabalho sério. Não é uma coisa para show. É realmente uma pesquisa destinada a se desenvolver em quatro ou cinco anos. Queremos utilizar profissionais do mundo da beleza como nossos olheiros. É uma fórmula muito nova. Não sabemos ainda os mecanismos e se vão funcionar.
Arraso — Será como um laboratório?
Casablancas —
Sim, um laboratório. Tenho certeza que vamos cometer alguns erros mas a idéia é muito interessante porque esse pessoal — manicures, pedicures e cabeleireiros —, muitos deles são muito humildes. Mas sendo eles muito humildes ou dos salões mais badalados, todos têm em comum um grande amor pelo mundo da moda. Gostam das revistas de moda, das colunas de moda. Então nós vamos dar uma oportunidade às pessoas que normalmente teriam ficado muito longe desse universo de sonho, para realmente participarem e ficarem próximas às grandes escolas.
Arraso — Como é trabalhar nesse universo de modelos?
Casablancas —
Tem dias bons e dias ruins. Eu, pessoalmente, não quero fazer mais. Eu adoro descobrir talento, colocar o talento na boa direção, dar todas as dicas e os conselhos, prepará-los e depois deixá-los seguir. Eu já passei muitas horas falando com modelos e estou um pouco cansado.
Arraso — A modelo brasileira é diferente?
Casablancas —
Ela é fisicamente interessante porque o Brasil tem todos os tipos imagináveis. E além do físico, tem aquele toque brasileiro, aquela alegria, aquela sensualidade, aquele jeito que o mundo adora. Acho que a modelo brasileira ainda tem muitos e muitos anos de sucesso pela frente.
Arraso — O estereótipo de modelo deve mudar nos próximos anos?
Casablancas —
Tenho realmente uma posição muito forte contra esse movimento de modelos cada vez mais jovens e cada vez mais magras. Acho essas duas coisas completamente erradas. Ás vezes sou como todos e vou com o movimento: se vejo uma menina linda de 13, 14 anos e sei que todo mundo está atrás, eu não vou deixar passar. Mas no concurso não vou admitir candidatas com menos de 15 anos. Ter que lidar com essas meninas, que são tão jovens, é uma responsabilidade enorme. Eu sou da opinião que moda é um pretexto para a sensualidade e é muito difícil pedir para uma menina de 13 anos ser sensual.
Arraso — Como você define uma boa modelo?
Casablancas —
Bom, é muito difícil porque tem muitos tipos de boas modelos. Mas para mim uma boa modelo é uma pessoa que tenha a faculdade de mostrar as roupas, os desenhos, as maquiagens e as obras de outros de uma maneira particularmente espetacular, e que ao mesmo tempo, tenha sua própria personalidade, que imprime no que faz. Poder ser um "cabide" com muita personalidade e não somente um cabide.
Arraso — Você escreveu um livro que mesmo antes de ser lançado já está causando polêmica...
Casablancas —
Acho que existe uma fascinação muito grande pela vida de um homem como eu, que vive há muitos anos no meio de tanta beleza. E eu sou uma pessoa que gosta da beleza, dos prazeres da vida. Tive namoradas, tive aventuras, fui número 1 durante 25 anos, numa profissão muito glamourosa; as pessoas ficam curiosas em saber como é. E também sou uma pessoa que sempre falo o que eu penso. Então a imprensa se diverte bastante comigo (risos).
Arraso — Aqui no Brasil especialmente com relação a Gisele Bündchen... (a modelo abandonou a Elite para trabalhar numa agência concorrente, justamente quando tornou-se a número 1 do planeta),
Casablancas —
A história de Gisele é notável porque aqui no Brasil ninguém fala mal de Gisele, é proibido por lei, é um crime punido de morte (risos).
Arraso — Seu sucesso parece não ter "subido à cabeça". Como você conseguiu?
Casablancas —
Eu sei quem sou, tenho meus momentos de vaidade e de arrogância como todo mundo, mas também sei os meus limites. Sei que o que faço não é digno de um prêmio Nobel, então levo tudo com um pouco de humor. O título do meu livro, por exemplo, é "Vida Modelo" e eu falo que minha vida é tudo menos modelo (risos). A vida é uma grande oportunidade de criatividade, de diversão, de boas energias. Meu caráter foi formado pela minha educação; na minha família ninguém nunca foi pretensioso.

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