Em tempos de eleição...

Eleição é uma coisa muito chata pra mim. Detesto. Mas nem sempre foi assim. Já fui engajada. Militante. Filiada. Lógico: fui petista. Das roxas. De ficar vermelha como pimentão trabalhando como boca-de-urna. De acordar cedo, vestir a camisa, me pintar inteira, carregar bandeira. De parar carro na rua. Aí virei jornalista, repórter do que? De política. Ao longo dos anos, tudo foi mudando. Comecei a perder a paixão e ganhar razão. Mesmo assim, ainda gostava. Me entregava ao trabalho, me envolvia nas causas, sofria com as sacanagens. Aí virei assessora. De quem? De deputado. Ferrou. Em pouco mais de dois anos passei a odeiar a política. A política no sentido mais podre da palavra. Ou seja, a politicagem. A sacanagem. E apesar de odiar, vou votar. Mas agora voto por obrigação, não mais por paixão. Voto porque preciso, não porque quero. É triste chegar a esse ponto de desconforto político, de cansaço, de desesperança com meu país. E não me enquadro no ról daqueles que não sabem votar. Votei errado sim, mas porque fui ludibriada a vida inteira. Fui totalmente enganada. Quem sabe dessa vez eu faça a coisa certa? Afinal, meu coração não estará na urna eletrônica. Apenas o meu cérebro.

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